sábado, 17 de julho de 2021

Petra - Beyond Belief [1990] #REVIEW

 

Petra é uma banda que dispensa apresentações dentro do cenário do Rock cristão. Então hoje quero falar do disco que, considerado por muitos fãs da banda, se trata do melhor da carreira deles. Considerados como a melhor formação da banda com John Schlitt no vocal, Bob Hartman na guitarra, Tonny Cates no baixo, John Lawry no teclado e Louie Weaver na bateria, com certeza a banda estava em seu auge aqui.

Produzido pelos irmãos Dino e John Elefante, gravado no estúdio Pakaderm e lançado pela DaySpring Records no dia 20 de junho de 1990, o disco conta com a participação de John Elefante e Dave Amato (REO Speedwagon) nos backing vocals, além do Coral Congregacional Los Alamitos na música "Love". Então, sem mais delongas, vamos para o review.

O disco abre com "Armed And Dangerous", que tem uma essência bem Hard Rock característico da banda que marcaria o começo dos anos '90. Nessa mesma levada entra "I Am On The Rock" baseada na declaração de Jesus de Mateus 7:24-27 sobre construir a casa sobre a rocha.

A próxima faixa "Creed" é umas das coisas mais lindas que já ouvi em toda minha vida. A música tem uma pegada mais AOR que combina bem com a letra, que é o credo apostólico, uma declaração de fé que acompanha a igreja cristã por séculos. "Beyond Belief" trata de sermos mais ousados na fé e tem uma levada bem "sessão da tarde" (os mais antigos entenderão o que quero dizer). 

Chega então a primeira balada do disco, "Love", que como comentei acima tem a participação do Coral Congregacional Los Alamitos. Linda! Destaco aqui o refrão:

O amor sabe quando abrir mão
O amor sabe quando dizer não
O amor cresce na luz do Filho
E o amor mostra ao mundo que o Filho do Amor veio

"Underground" volta para o clima mais Hard Rock e sua letra é uma crítica àqueles perseguidores, que tomam nota de tudo que dizemos para tentar usar contra nós. "Seen And Not Heard" já traz uma crítica aos próprios cristãos, que falam demais e não demonstram frutos. Vejam o refrão:

Vistos e não ouvidos, vistos e não ouvidos
Às vezes os filhos de Deus devem ser vistos e não ouvidos
Há muita falação e pouco progresso
Às vezes os filhos de Deus devem ser vistos e não ouvidos

Impossível escutar essa música e não lembrar de "Heaven's On Fire" do KISS em sua introdução. 

"Last Daze" na minha opinião é a mais fraca do disco. Não é uma música marcante como as outras, mas não compromete a audição do disco. "What's In A Name" tem uma das letras mais poderosas que já vi. Uma descrição de Jesus: Rabi, mestre, Messias, Cordeiro de Deus, entre tantos outros. Sua melodia é muito marcante e o peso é muito bem dosado aqui. Enfim, o álbum fecha com a balada "Prayer", que como o próprio nome diz, é uma oração em forma de música:

Essa é minha oração erguida a Ti
Sabendo que Tu se importas até mais do que eu mesmo
Essa é minha oração erguida em Seu nome
Sua vontade seja feita, eu humildemente oro

Beyond Belief é com certeza um marco na história não só da banda, mas também na música cristã em geral. Juntamente com o álbum, foi lançado um mini filme com os clipes de "Armed And Dangerous", "I Am On The Rock", "Creed", "Beyond Belief" e "Seen And Not Heard", que de acordo com a estória, cada música vai se encaixando. Você pode assistir o mini filme AQUI.

Nota: 10/10
by Gustavo Hoft

Petra em 1990: John Lawry (teclado), Bob Hartman (guitarra), Ronny Cates (baixo), Louie Weaver (bateria) e John Schlitt (vocal).

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domingo, 27 de junho de 2021

Oficina G3 - Depois Da Guerra [2008] #REVIEW

 

Lançado no dia 3 de dezembro de 2008, "Depois Da Guerra" marca uma reviravolta na carreira do Oficina G3. Produzido por Marcelo Pompeu e Heros Trench, ambos da banda Korzus, o álbum ganhou uma sonoridade mais pesada. A entrada do vocalista Mauro Henrique também deu novos ares para a banda, que deixou de ser um trio. Juninho Afram também canta em algumas músicas, o baixo de Duca Tambasco está impecável e o teclado de Jean Carllos está na dose certa, além de seus guturais em algumas faixas. A bateria ficou a cargo de Alexandre Aposan e algumas guitarras base foram gravadas por Celso Machado.

O álbum abre com a introdução "D.A.G." que é para poder dar um clima para o que estava por vir... Para poder chegar arrebentando com tudo com a música "Meus Próprios Meios". Me lembro da primeira vez que ouvi porque levei um susto! As guitarras estão mais sujas e a voz do Mauro realmente é marcante. Jean berrando em algumas partes, tudo muito bem dividido. Em seguida entra a belíssima "Eu Sou" que além de contar com um instrumental maravilhoso, tem uma letra muito bacana:

Muitos dizem me conhecer
Mas me conhecem só de ouvir
Outros tentam me explicar
Negar tudo o que Eu fiz

Eu sou o princípio e o fim
Não há outro igual a Mim
Todo o poder está em Minhas mãos

Quem buscar Me encontrará
Quem pedir receberá
Quem invocar Eu vou ouvir
Eu Sou o Eu Sou

"Meus Passos" eleva o peso do álbum com uma letra baseada em Romanos 7:19,20: "Porque não faço o bem que eu quero, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem faz, e sim o pecado que habita em mim". Chega a hora da primeira balada do disco, "Continuar" que faz uma narrativa de um soldado cansado da guerra, fazendo um paralelo com a vida cristã. Letra muito inteligente!

"De Joelhos" volta ao peso e vemos nessa música uma pegada mais progressiva. "Tua Mão" é outra balada que tem um solo lindo! Agora vamos falar das 2 músicas inseparáveis desse disco: "Muros" e "Depois Da Guerra". Pesadas, tudo muito bem dosado e muito bem produzido, com as letras conversando entre si, pois ambas fazem uma crítica pesada contra a própria igreja que parece lutar contra si própria, deixando um rastro de pessoas feridas e mortas. Um tapa na cara do ego.

"A Ele" e "Incondicional" são 2 belas baladas. A primeira é um louvor e a segunda uma declaração de amor de Deus para o homem que conta com um belo arranjo de violão executado por Celso Machado.

"Obediência" é uma música que confesso não me chamar muita a atenção. Não é uma música ruim, mas seria facilmente descartada e não faria falta. "Better" é super pesada, uma coisa ao estilo Symphony X. Sinto uma pegada de Russell Allen na voz do Mauro, não sei se é uma influência. "People Get Ready" é um cover do The Impressions, que já foi regravada por vários nomes como Larry Norman, Rod Stewart e Jeff Beck, Dionne Warwick, Ziggy Marley, Aretha Franklin, entre outros. E o álbum fecha com "Unconditional", que é uma versão em inglês de "Incondicional", que também acho desnecessária.

"Depois Da Guerra" ganhou um Grammy Latino como Melhor Álbum de Música Cristã em Língua Portuguesa e um Troféu Talento como Melhor Álbum de Rock. Teve uma turnê de sucesso que resultou no DVD "DDG Experience" que em minha opinião, é um dos melhores DVDs já gravados no Brasil dentro do segmento de Rock e Metal.

Nota: 9,5/10
by Gustavo Hoft

Oficina G3 em 2008: Duca Tambasco (baixo), Jean Carllos (teclado), Mauro Henrique (vocal) e Juninho Afram (guitarra e vocal)

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domingo, 20 de junho de 2021

Theocracy - Mirror Of Souls [2008] #REVIEW

 

Theocracy é uma banda de Prog / Power Metal que no início não era bem uma banda. Formada em 2002 em Anthems no estado da Georgia, no começo era uma "one man band", ou seja, uma banda de um homem só. Matt Smith gravou assim o primeiro álbum, o fenomenal álbum auto intitulado em 2003. Matt fez tudo no álbum, somente a bateria que foi programada. Em 2013 ele relançariam esse primeiro álbum com baterias de verdade.

Então, em 21 de novembro de 2008 chegava às lojas o 2º disco, "Mirror Of Souls" e apresenta o Theocracy como uma banda de verdade, contando com Matt Smith no vocal, guitarra, baixo e teclado; Jonathan Hinds na guitarra e Shawn Benson na bateria. 

Percebemos uma produção melhor comparado ao primeiro disco e o álbum abre com "Tower Of Ashes", uma música muito coesa e melódica que fala da vaidade humana, fazendo um link com a história bíblica da torre de Babel. No final, tudo que sobra é uma torre de cinzas e mentiras. Indispensável para fãs do famoso Metal Melódico. "On Eagles' Wings" fala da dor de se perder um ente querido como um pai e que o Senhor renova as forças daqueles que se agarram Nele. 

Tu ergues meu espírito para voar longe
Para voar nas asas das águias
Tu ergues o caído para a vida novamente
Para coroar o Rei acima de todos os reis
Toda a honra, toda a glória
Erguidas em Sua majestade sobre as asas das águias

"Laying The Demon To Rest" é a mais pesada do disco e é uma aula de Prog Metal, sensacional! "Bethlehem" me emociona profundamente. Tudo nela é bonita: o instrumental, a melodia, a harmonização, a letra, a interpretação do Matt, tudo! Ela fala do nascimento de Jesus e ela já começa com a passagem do profeta Simeão que viu Jesus ser consagrado no templo e ele se alegra ao ver a salvação de Israel diante de seus olhos, assim como o Espírito do Senhor havia prometido de que ele não morreria antes de seus olhos verem o Cristo do Senhor. Para melhor entender, leiam Lucas 2:22-35. 

Oh Belém, sua estrela brilha forte essa noite
Pois os meus olhos viram a glória da luz santa da salvação
Essa criança veio para redimir a nós todos?
Para nos salvar da queda
A redenção está à vista
Contemplem, o Filho brilha forte
Sob a estrela de Belém essa noite

"Absolution Day" tem uma pegada mais Power Metal e fala que somente em Cristo temos a absolvição de nossos pecados, o que já conversa bem com a música "The Writing In The Sand" que trata sobre a mulher adúltera de João 8. Músicas bem pesadas e melódicas e uma coisa que quero ressaltar sobre essa incrível banda são as letras, um show de teologia! São poucas a bandas que tem as letras tão fincadas nas Escrituras e o Theocracy é uma delas.

"Martyr" tem uma pegada mais pesada com vários elementos de Prog e sua letra fala dos mártires que morreram pela fé. Agora, abram espaço para uma obra-prima, a faixa título "Mirror Of Souls" com seus 22 minutos e 28 segundos. Uma bela estória de um rapaz que andava perdido na chuva em uma floresta e entra num salão de espelhos. Nesse salão ele vê espelhos que não refletem a verdade, mas quando ele encontra o "espelho das almas" ele se vê como ele realmente é. Sujo, com a carne apodrecendo pelo pecado, uma figura monstruosa! Ele sai correndo e encontra um estranho na chuva que reconstrói a ponte para ele voltar e depois de redimido, ele não se vê mais no espelho, mas sim o estranho que é Jesus. Maravilhosa!

Algumas versões do álbum traz a faixa bônus "Wages Of Sin". A capa do álbum é assinada pelo artista Robert Wilson.

"Mirror Of Souls" é um artefato indispensável para fãs de Prog / Power Metal e é também uma excelente porta de entrada para quem ainda não conhece a banda e quer conhecer.

Nota 10/10
by Gustavo Hoft

Theocracy em 2008: Jonathan Hinds (guitarra); Matt Smith (vocal, guitarra, baixo e teclado) e Shawn Benson (bateria)


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sábado, 12 de junho de 2021

Stryper - To Hell With The Devil [1986] #REVIEW

 

Stryper é uma banda que dispensa apresentações. Talvez o maior nome do Rock e Metal cristão de todos os tempos, hoje quero falar desse álbum que foi um divisor de águas na carreira da banda. O Stryper surgiu no ano de 1980 com o nome de Roxx Regime, gravando uma demo em 1982.

Já em 1984, já sob o nome de Stryper, a banda lança o EP "The Yellow And Black Attack" e em 1985 o álbum "Soldiers Under Command", que fez com que conquistassem certo sucesso internacional. Mas foi em 1986 que a carreira do Stryper deu uma reviravolta, mais precisamente no dia 24 de outubro. 

Esse álbum fez com que a banda alcançasse muito mais sucesso internacional e fez com que o Stryper aparecesse nas paradas de sucesso na MTV. Sim, uma banda declaradamente cristã nas telas da MTV!

O baixista Timothy Gaines saiu da banda um pouco antes de entrarem em estúdio, sendo substituído pelo baixista Brad Cobb que gravou o álbum todo, mas Timothy voltou logo após e aparece como membro nas fotos de divulgação, porém, algumas fotos com Brad tinham sido divulgadas, como você podem ver abaixo:



Mas, vamos ao álbum... O disco abre com a introdução "Abyss (To Hell With The Devil)" que serve para preparar o clima para a faixa título "To Hell With The Devil". Uma música com um refrão forte e que faz referência à passagem bíblica Apocalipse 20:10: "O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos". 

A próxima faixa "Calling On You" tem uma pegada mais comercial, bem Hard Rock que chegou ao segundo lugar na MTV. Ela entraria fácil para qualquer filme da década de 1980, que já emenda com "Free" e juntamente com "Honestly", chegaram ao primeiro lugar na MTV. Também vale ressaltar que essas três faixas ganharam clipes. "Honestly" é uma bela balada e dou destaque para o refrão:

Chame a mim e eu estarei lá por você
Sou um amigo que sempre serei verdadeiro
E eu te amo, não vê? 
Que posso dizer que te amo honestamente

"The Way" é uma música pesada, tem um refrão cativante e um final sensacional! "Sing-Along Song" é aquela música que é boa para abrir os shows (o que o Stryper já fez bastante) porque é aquela música que tem um refrão que faz a galera cantar junto. "Holding On" tem a mesma pegada de "Calling On You", um Hard Rock bem melódico e comercial. "Rockin' The World" em minha opinião é uma das mais subestimadas músicas da banda. Pesada, tudo muito bem dosado. Uma pena a banda não explorar ela mais, a não ser na turnê de 30 anos do álbum que rolou em 2016.

"All Of Me" é outra balada linda apenas com voz e piano. E o álbum fecha com a poderosa "More Than A Man", uma das melhores músicas da carreira para da banda:

Deus, eu vou te seguir porque morreste por mim
Deu para mim Sua vida para me libertar
Todos que pedirem devem receber
Jesus em seu coração
É hora de você começar 
A dar à Deus toda glória

To Hell With The Devil é um álbum atemporal. Você consegue ouvir ele e sentir a energia da banda em seu auge. Se você não conhece Stryper, esse é um álbum que você pode começar. O disco saiu com outras duas capas:



Nota: 10/10
by Gustavo Hoft

Stryper em 1986: Michael Sweet (vocal e guitarra); Oz Fox (guitarra); Timothy Gaines (baixo) e Robert Sweet (bateria)

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domingo, 6 de junho de 2021

Guardian - Miracle Mile [1993] #REVIEW

 

Guardian é uma banda de Hard Rock formada em 1982 com o nome de Fusion, depois alterando o nome para Gardian (sem o "u" mesmo) quando assinou com a Enigma Records porque já havia uma banda espanhola com o nome Fusion. A banda também usava um visual bem futurístico. Não vou entrar em detalhes da formação que tiveram várias alterações nesse período.

Em 1988 a banda abandona o visual e adiciona o "u", fixando como Guardian, lançando assim em 1989 o primeiro disco "First Watch" que contava com Paul Cawley (vocal e guitarra); Tony Palacios (guitarra); David Bach (baixo) e Rikki Hart (bateria). A sonoridade da banda estava ainda calçada no Heavy Metal. Depois da turnê de divulgação, Cawley e Hart deixam a banda e o Guardian também deixa a Enigma Records.

Karl Ney é chamado para o posto de baterista e o então vocalista do Tempest, Jamie Rowe, é chamado e o Guardian estabelece a formação. Lançam o álbum Fire And Love em 1990 e o álbum em que vamos fazer a resenha em 1993. Vale ressaltar que Miracle Mile foi produzido pelos irmãos John e Dino Elefante do Pakaderm Studios e lançado pela Word Records, uma gravadora 100% voltada para a música cristã. 

O álbum já abre com a poderosa "Dr. Jones & The Kings Of Rythm" que é um Hard Rock bem anos 1990. Já emenda com "Shoeshine Johnny" que conta a história de um engraxate chamado Johnny e como as pessoas gostavam de ouvir seus conselhos. Destaque para o refrão:

Alguns gostam de brincar com fogo
Mas há um amor que é mais alto
E eu sei que o Senhor tem sido bom para mim, com certeza
Tempos difíceis podem vir e ir
Mas de uma coisa tenho certeza
Quando eu morrer, o homem mais rico eu serei

"Long Way Home" segue a mesma linha. A impressão que se tem é que essas 3 primeiras faixas estão conectadas, não pela letra e sim pelo estilo. Elas conversam bem entre si. "I Found Love" e "Sweet Mystery" são 2 lindas baladas que não fazem o álbum perder o embalo. Porque em seguida temos o peso de "Let It Roll" e meus amigos, que música! Pesada, cativante e que solo do Tony Palacios! 

"Mr. Do Wrong", "Curiosity Killed The Cat" e "Sister Wisdom" mantém o peso do disco, combinando bem uma com a outra. Vale ressaltar que a ordem das músicas nesse álbum funciona muito bem. "The Captain" é uma bela balada e destaco aqui a voz do Jamie Rowe, que interpretação! "You And I" é aquela música de Hard Rock que facilmente tocaria nas rádios ou estaria na trilha sonora de algum filme. Uma música com letra romântica com uma levada bem legal. 

Então, o álbum fecha com a belíssima balada "Do You Know What Love Is" que é uma das músicas mais bonitas da carreira do Guardian.

Miracle Mile é um disco consistente e é um item indispensável se você é fã de Hard Rock. 

Nota: 9,5/10
by Gustavo Hoft

Guardian em 1993: Karl Ney (bateria); Jamie Rowe (vocal); David Bach (baixo) e Tony Palacios (guitarra)

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domingo, 23 de maio de 2021

Rob Rock - Holy Hell [2005] #REVIEW

 

Rob Rock é um cara que dispensa apresentações. Já havia passado pelas bandas Angelica, Joshua, Impellitteri, Axel Rudi Pell, Driver, entre tantas outras! Participou nos aclamados 2 primeiros álbuns do Avantasia: "The Metal Opera" e "The Metal Opera Pt. II", 2001 e 2002 respectivamente.

Dono de uma voz poderosa, Rob Rock já havia lançado 2 álbuns solo: "Rage Of Creation" em 2000 e "Eyes Of Eternity" em 2003. Sempre ao lado de Roy Z, guitarrista e produtor que é seu companheiro de Driver e já produziu nomes como Bruce Dickinson, Rob Halford, Andre Matos, etc. 

Holy Hell já chama a atenção pela capa, assinada pelo artista Derek Gores, o álbum ainda conta, além de Roy Z na guitarra e algumas linhas de baixo, Carljoham Grimmark (Narnia) na guitarra, Andreas Olsson (Narnia) no baixo, Bobby Jarzombek (Fates Warning) na bateria e Mistheria (Artlantica) nos teclados, além de outras participações especiais que irei comentar ao longo da resenha.

O álbum já abre com a pesadíssima "Slayer Of Souls", excelente faixa de abertura. Já chega arrebentando com tudo! Vale destacar o peso das guitarras nesse álbum, que estão mais gordas do que nos outros 2 álbuns anteriores. Já emenda com outra paulada que "First Winds Of The End Of Time", que destaco para o refrão:

Para onde você vai fugir quando o mundo estiver em chamas?
Onde você vai se esconder no dia do acerto de contas?
Não há para onde fugir quando a hora chegar
Não há onde se esconder no fim dos tempos

A belíssima e melódica "Calling Angels" mantém o nível do álbum lá em cima. Quando eu falo que ela é bela, não estou exagerando. Ela te impressiona logo de cara e foi justamente essa a sensação que eu tive quando a escutei pela primeira vez em 2005. Ela também foi a primeira música do Rob Rock que ouvi e já foi o suficiente para eu ir atrás de outras coisas dele. Já o conhecia do Avantasia, mas quando tive contato com sua carreira solo tive que conferir mais a fundo. Butch Carlson (Jag Panzer) está na bateria nessa música.

Agora entramos na faixa título, "Holy Hell". Muito pesada, no mesmo naipe de "Slayer Of Souls" e que conta com Rick Renstrom na guitarra, que já havia trabalhado com Rob Rock nos 2 primeiros álbuns. Uma pequena curiosidade: o termo holy hell (inferno santo) é muito comum na língua inglesa para descrever a luta entre carne e espírito de Gálatas 5:17. "Lion Of Judah" é linda! Que música! 

Leis dos profetas passada por gerações
O véu removido, revelado em tempo
O cetro não se apartará...

Veja a pedra de esquina
A força de Israel
Abandonem suas coroas
Saiam do seu trono
Antes que você seja arrebatado

O Leão de Judá
Eu ouço seu chamado
Cidades queimarão
Eu sei com certeza
Fora dos seus muros
Templos caírão
O Leão de Judá

"I'm A Warrior" é uma canção que para quem já conhece a carreira do Rob Rock já está familiarizado, pois tanto com o Impellitteri como com o Driver ela já havia sido gravada. Mas creio que aqui Rob quis dar sua assinatura definitiva na música. "I'll Be Waiting For You" é uma bela balada que Rob fez para seu pai John Peter Rock, falecido em 2004. Muito bonita! Traz Liza Shekhter nos teclados.

"When Darkness Reigns" traz uma letra bem apocalíptica com o peso bem dosado e que faz uma ponte perfeita para a próxima música "The Revelation" que traz em ambas o guitarrista Bob Rossi (Tatcher).

Agora para fechar, "Move On" que traz a brilhante voz de Tobias Sammet (Edguy; Avantasia). É um cover da banda sueca ABBA e essa versão é maravilhosa. Só ouvindo para você entender bem o que estou definindo como maravilhoso. Fecha o disco com chave de ouro!

Esse é disparado meu álbum preferido do Rob Rock. Ele beira a perfeição e é obrigatório para quem é fã de Heavy / Power Metal. Guitarras pesadas, tudo muito dosado e Rob sendo um monstro no vocal. Que voz! Está escrito na parte de trás do encarte: "Esse álbum é dedicado para a glória de Deus", então tem que ser o melhor e Rock entrega isso. 

Nota: 10/10
by Gustavo Hoft


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quarta-feira, 21 de abril de 2021

Narnia - Enter The Gate [2006] #REVIEW

 

Hoje, 21 de abril de 2021, faz exatamente 15 anos que a banda sueca Narnia nos presenteava com o álbum "Enter The Gate", sucessor de "The Great Fall" lançado em 2003. 

Aqui vemos um Narnia mais pesado, com muita influência do Progressivo e mais próximo do Power Metal Melódico, deixando um pouco de lado o Heavy Metal Neo-Clássico que a banda costumava fazer. Esse também é o primeiro trabalho depois da saída do tecladista Martin Härenstan e seria o último com Christian Liljegren nos vocais. Christian seria substituído por Germán Pascual e lançariam apenas um álbum, "Course Of A Generation" em 2009. Depois disso a banda encerraria as atividades e voltaria em 2014, com a formação clássica, tendo tanto Christian como Martin de volta.

O disco abre com "Into This Game", com guitarras mais "gordas" do que a banda costumava usar. Uma ótima faixa de abertura, rápida e melódica. "People Of The Blood Red Cross" já faz uma excelente emenda. A música nos fala de muitas vezes termos uma certa concorrência entre nós mesmos, cristãos.

Procurando por um bode expiatório em todo lugar
Você é o pecador e eu sou o santo
Quem é o vencedor desse jogo estúpido?
Será que aprenderemos a ver a verdade
E dar aos nossos irmãos uma mão de ajuda
Esta é a causa que estaremos lutando

"Another World" tem peso e cadência, em minha opinião uma das melhores do disco. Essa cadência é quebrada no final, quando a música fica rápida, dando à mesma um final explosivo. "Show All The World" tem uma pegada mais melódica, linda! Já a faixa título, "Enter The Gate" tem uma pegada mais progressiva e confesso que na primeira vez que a escutei lá em meados de 2007, não gostei. Mas hoje, simplesmente amo essa música (o que eu tinha na cabeça naquela época????). 

"Take Me Home" é primeira balada do disco. A letra fala de uma pessoa que parece estar longe do amor de Deus e anseia pela volta.

Dê-me pão e dê-me vinho
Minha alma está faminta pelo Seu amor
O fogo se foi, estou frio por dentro

O tempo vêm, o tempo vai
Navega onde a água flui
No porto de uma praia distante
Onde encontro paz em Ti, me leve para casa

"This Is My Life" talvez seja a mais fraca do álbum. Longe de ser ruim, mas é uma música que pode muitas vezes passar despercebida, claro que isso em minha opinião. "Aiming Higher" também tem uma pegada bem progressiva.

Agora chegamos no gran finale, "The Man From Nazareth". Essa música é ótima em todos os aspectos! Uma balada perfeita para encerrar o disco. A letra praticamente conta a história de Jesus. Dou destaque para os dois refrãos:

Veja o Filho de Deus entre santos e pecadores, velhos e jovens
Falando palavras de sabedoria
Vire a outra face, creia
E a verdade te libertará
Disse o homem de Nazaré
Jesus, Rei dos reis

Em Seu templo permaneceremos
Reis e nações se tornem em areia
E Sua palavra ecoará
Verdadeiro perdão para os nossos pecados
Vida eterna para você e para mim
Disse o homem de Nazaré
Jesus, Reis dos reis

Vemos aqui um Narnia mais maduro, com uma identidade mais própria. O som está mais melódico, mais progressivo, com guitarras mais "gordas". O álbum foi produzido pelo guitarrista Carl Johan Grimmark. O disco também conta com a participação do vocalista Mats Levén (Yngwie Malmsteen; Therion) nos back vocais.

Nota: 9,5/10
by Gustavo Hoft

Narnia em 2006: Christian Liljegren (vocal) Carl Johan Grimmark (guitarra); Andreas Olsson (baixo) e Andreas Johansson (bateria)

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Petra - Beyond Belief [1990] #REVIEW

  Petra é uma banda que dispensa apresentações dentro do cenário do Rock cristão. Então hoje quero falar do disco que, considerado por muito...